Wagner Moura lança ‘Praia do Futuro’ e deixa o Brasil por dois anos

Wagner Moura nem estranha mais - é o preço que paga por ter feito um personagem tão forte quanto o Capitão Nascimento. Desde 2007 e, depois, 2011, quando Tropa de Elite 1 e 2 viraram fenômenos - e o segundo se transformou no recordista de público de todas a história do cinema brasileiro -, ele se acostumou a ver as pessoas, e a imprensa, perguntarem se o papel, qualquer que seja, é uma tentativa de se libertar do capitão do Bope. "Dessa vez, vão radicalizar", prevê. "Vão dizer que fiz um gay para acabar de vez com o Nascimento." Na verdade, Wagner Moura está muito feliz com Praia do Futuro, que estreia nesta quinta, 15, em um bom circuito. Não é um blockbuster, daqueles que entram arrebentando em centenas de salas. É um lançamento menor e ele confessa que está ansioso.


Wagner está muito feliz com Praia do Futuro, mas não tão feliz assim com o Brasil. Confessa: "Tenho o maior amor por esse País, mas não está dando para viver aqui. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas estou gostando que meu próximo projeto - uma minissérie sobre Pablo Escobar que será dirigida por José Padilha - vai me tirar do Brasil por uns dois anos". Ele reclama do preconceito e do conservadorismo, e diz que Praia do Futuro vai contra isso, mas reclama mais ainda da política. Na eleição passada, já se havia distanciado do PT e apoiado Marina Silva para presidente. "O PT não inventou o toma lá/dá cá, mas o institucionalizou", diz, desiludido. O Rio é uma das cidades mais caras do mundo. "Eduardo Paes governa com a iniciativa privada." É o oposto do que vivenciou em Medellín, na Colômbia (onde vai filmar Narcos).

"Vão me chamar de demagógico, mas o projeto de reurbanização de Medellín realmente privilegia os necessitados. O metrô sai de dentro das favelas, e elas estão sendo urbanizadas. No Brasil, temos as UPPs, que são um primeiro passo, mas a coisa não vai adiante. São os mesmos policiais, olha a quantidade de denúncias." Como cidadão, e sabendo que poderia influenciar pessoas, ele sempre abriu seu voto. Pela primeira vez, admite que não sabe em quem votar. "Tenho um carinho muito grande por Marina (Silva), mas não estou nem um pouco con vencido com Eduardo Campos. Me decepciona a proximidade dele com Aécio Neves, que é o candidato da agroindústria." Depois da entrevista, Campos decidiu que precisa se afastar de Aécio em busca de lulistas insatisfeitos. "Não voto em Aécio nem em Dilma. Lula ainda mascarava a fragilidade do PT, mesmo com o mensalão. Dilma não tem o carisma dele nem a competência."