Capital Inicial lança o disco ‘Viva a revolução’, inspirado nas manifestações de junho.

Das ruas para os estúdios. Com uma autêntica música urbana, o EP “Viva a revolução”, do Capital Inicial, retrata a visão artística da banda em relação ao momento político vivido pelo Brasil no ano passado. À sua maneira, os músicos traduziram seus sentimentos em canções.

— Havia uma certa urgência, queria ter lançado em junho também. Fui com meus filhos às ruas e vi uma espontaneidade, uma jovialidade, uma alegria quase como nos anos 60 — explica o vocalista Dinho Ouro Preto: — Acabei pegando o bordão da Revolução Cubana, mesmo sem apoiá-la. Tentei misturar o desejo de mudança à palavra de ordem.

A faixa que dá nome ao disco é uma parceria com o grupo de rap carioca ConeCrewDiretoria e mistura os dois gêneros, aliando guitarras e vozes distorcidas a efeitos eletrônicos. Outro convidado, Thiago Castanho, ex-guitarrista do Charlie Brown Jr., divide a autoria de duas músicas e participa tocando em uma delas.

As canções contemplam nuances diferentes da banda, desde baladas mais acústicas a batidas mais pesadas de rock ‘n’ roll, mesmo num formato curto, com seis faixas, uma estratégia para baratear o preço de venda, que está em torno dos R$ 10.

A temática do tempo também permeia o álbum, tanto em títulos como “Melhor do que ontem” e “Tarde demais”, quanto em letras que citam as expressões “eterno fim”, “estamos presos nesse instante” e “ de repente o futuro envelheceu”, entre outras. Tempo esse que urge para o Capital, que com 31 anos de banda ainda mantém a ânsia pelo novo.

— Nunca paramos de produzir. Compor se tornou um hábito. Tenho vontade de ficar o tempo todo falando de coisas novas. Tento não me dar por satisfeito. Isso explica um pouco a nossa longevidade. Vamos fazendo coisas diferentes, mas mantendo a nossa identidade. A rigor, não é necessário, poderíamos ficar um pouco parados, mas lutamos para continuar na mesma intensidade — comenta Dinho, que assina todas as faixas do EP, lançado apenas um ano e oito meses depois do último álbum do grupo, intitulado “Saturno”.

Para a produção de “Viva a revolução”, o escalado foi Liminha, produtor que tinha trabalhado com a banda apenas na primeira passagem do Capital por um estúdio. E sua influência foi determinante no resultado.

— É um sujeito peculiar, de mão pesada. Ele não é um cara para prestar um serviço e pronto. Foi como se ele tivesse entrado para a banda. Nenhuma música saiu como entrou, ele mexeu em todas e me fez cantar de um jeito diferente — elogia Dinho.

Quanto a sua recente experiência como jurado do “SuperStar”, que coincidiu com a produção do disco, Dinho não vê influência direta no novo trabalho.

— A experiência foi diferente. Nunca tinha me exposto tanto. Mas não consigo dizer que me influenciou neste EP, porque as músicas já estavam praticamente prontas. Para os próximos, certamente é uma bagagem — explica.



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