Painéis “Guerra e Paz”, de Portinari, começam a ser expostos em Paris

Já estão em Paris os grandes painéis “Guerra e Paz”, do pintor brasileiro Cândido Portinari. Foi preciso uma operação de alta complexidade para levar as gigantescas pinturas para a primeira exposição na Europa.

É um cenário de prestígio e luxo. O Grand Palais de Paris, um dos mais importantes centros de exposição do mundo, se prepara para mostrar à Europa os grandes painéis “Guerra e Paz”, de Portinari.

As gigantescas pinturas precisaram de três aviões cargueiros para o transporte e foram levadas direto para o palácio. Um trabalho pesado e delicado. São 28 placas de madeira que formam os dois grandes painéis que simbolizam a devastação da guerra e a beleza da paz.

14 metros de altura, 10 de largura.. 280 metros quadrados de uma obra-prima. O projeto de montagem no Grand Palais é de uma arquiteta brasileira. “O objetivo era criar um ambiente de forma com que o público possa se maravilhar com toda esse deslumbramento do 'Guerra e Paz'", explica Virgínia Fenga, arquiteta do projeto.

Os painéis “Guerra e Paz” foram uma doação do governo brasileiro e estão em exposição permanente no prédio das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, desde os anos 50.

Mas, em um local onde não há visitação pública, e aproveitando a reforma do prédio da ONU, a Fundação Portinari decidiu expor os painéis primeiro no Brasil e, agora, na Europa.

Portinari, Rio, 1952 e 1956. 60 anos depois de pintados, finalmente, os grandes painéis “Guerra e Paz” atravessaram o Oceano Atlântico para serem apreciados pela primeira vez. E, agora, os europeus vão poder confirmar não só a beleza, dimensão, valor artístico, mas também que a visão de Cândido Portinari sobre o flagelo da guerra, ou a beleza das crianças na paz, continua mais atual do que nunca.

O filho de Cândido Portinari veio supervisionar toda a montagem – um sonho antigo. Então, isso aqui é realmente o ponto culminante do maior desejo de Portinari que é o desejo da paz, da fraternidade. É um desejo ético, é uma mensagem que vai além da arte”, pontua João Cândido Portinari, filho do criador de “Guerra e Paz”.