Guida Vianna e Gilberto Gawronski renovam sua parceria nos palcos.

“Esperando Godot” está no rol dos clássicos do teatro que têm sua trama conhecida por todos, mesmo entre as pessoas que jamais assistiram a alguma montagem do texto de Beckett. Entre os que viram o texto encenado, é comum a frustração de descobrir que o personagem-título, na verdade, nunca chega. Pensando nisso, o dramaturgo romeno Matéi Visniec escreveu um texto no qual o protagonista confronta seu criador, questionando-o pelos motivos que o levaram a deixá-lo no limbo teatral. Com a trama de “O Último Godot”, Matéi já foi considerado por críticos europeus o novo Ionesco – um dos maiores nomes do Teatro do Absurdo.

Pouco conhecido no Brasil, o autor recebe uma homenagem dos atores Guida Vianna e Gilberto Gawronski, que, não contentes em encenar seu grande sucesso, também adaptam outro de seus textos: “O Rei o Rato e o Bufão do Rei”. Daí o nome do projeto “2xMatei”, que conta com direção do próprio Gawronski e supervisão de Amir Haddad. (Veja vídeo com entrevistas dos atores e cenas do espetáculo)

– Há 30 anos cheguei ao Rio de Janeiro para ser aluno de teatro na CAL, por uma indicação de Yan Michalski. O Amir já era um grande diretor, como ainda é até hoje. Costumo brincar que se passaram apenas três décadas até que eu fosse dirigido por ele (risos). É uma alegria trabalhar no teatro, fazer meu percurso e montar tantas coisas de forma que eu acabe trabalhando com os meus ídolos – exalta o diretor.

Saiba dias e horários do espetáculo

A dupla de atores renova uma parceria iniciada ainda em 2005, com o espetáculo “A Mulher Desiludida”, e que teve sequência em 2010 com “Dona Otília”. No primeiro momento da apresentação, Guida encarna Godot e Gawronski dá vida a Beckett. Na segunda história, um bufão tenta se inocentar da cumplicidade com seu mandante, mas anunciando sua possibilidade de existência somente na manutenção da figura do monarca. Gawronski é o Rei e Guida o Bufão.

– Essas coisas não têm muita explicação: às vezes dá certo, outras vezes não. Podemos ter grandes amigos no meio, mas não funcionar bem ao lado deles em cena. Eu sou uma pessoa bem chata para trabalhar, gosto de dar palpites e ter minha opinião ouvida. Nem todo diretor aceita isso. Gawronski e eu temos um entendimento muito bom em relação a isso, procuramos sempre chegar em um lugar comum para os dois. Vem dando muito certo – garante Guida Vianna.